terça-feira, 18 de outubro de 2011

Escola Teológica Charles Spurgeon
Análise de Romanos II
Prof. Luiz Correia 
Apontamentos da Aula

Romanos 9

Considerações Introdutórias de Romanos 9 [Slides]

- É um novo tópico [9-11], que tem em comum uma declaração pessoal de Paulo com respeito a Israel, seu povo.

- Ver Slides iniciais

Um Resumo de Rm 9:

A incredulidade dos judeus causa-lhe tristeza e angústia [1-3]. Ele não consegue entender como o seu povo, tendo tantos privilégios [8 ao todo] foi capaz de rejeitar o seu próprio Messias [4-5]. Como explicar tal apostasia da parte deles?  Veja a sequência que oferece a resposta de Paulo:

1. Será que a Palavra falhou?[v.6]

Não, Deus cumpriu sua promessa – só que ela foi dada, não a Israel como um todo, mas ao verdadeiro Israel espiritual.[6b, 11-12]

2. Deus é injusto ao exercer com soberania suas escolhas [14]?

De modo nenhum! A Moisés ele ressaltou sua misericórdia [15] e a Faraó seu poder de julgá-lo [17]. Mas nenhum dos dois é um gesto de injustiça – nem ter misericórdia de quem não merece [Moisés], nem endurecer o coração de quem se mostra endurecido [Faraó, v.18]. Misericórdia e juízo são compatíveis com a justiça.

3. Então, por que Deus ainda nos culpa [19]?

a. Deus, na qualidade de oleiro, tem o direito de modelar a massa como quiser, e nós não temos o mínimo direito de questioná-lo [20-21]
b. Cabe a Deus revelar-se assim como ele é, tornando conhecida a sua ira e a sua glória [22-23]
c. Deus anunciou de antemão, através da Escritura, tanto a inclusão dos gentios como a exclusão de Israel, com exceção de um “remanescente” [24-29]

4. Que diremos, então, em conclusão a isto [v.30]?

A salvação dos gentios é atribuída a misericórdia de Deus [imerecida], a rejeição de Israel [a condenação] deve-se à sua própria rebeldia [merecida]

Tópico 1: A Incredulidade de Israel [1-3] [Slide]

- Seu testemunho é sincero e persuasivo e fundamentado em uma tríplice afirmação: [1] Digo a verdade... Plena consciência do seu relacionamento com Cristo [2] Não minto – Não estar exagerando [3] Minha consciência

- Sua consciência é falível e culturalmente condicionada, portanto apenas quando o Espírito renova e controla, ilumina a mente pode ser confiável, ela permanece imperfeita e deve avaliada a luz da Palavra de Deus.

- E qual é a verdade que ele tão sinceramente afirma? Seu amor para com Israel, que rejeitou a Cristo. E essa rejeição traz ao coração de Paulo tristeza e angústia [2]. São seus irmãos [raça – irmãos nordestinos]. Afirma que desejaria ser amaldiçoado... [3]

Questão: Paulo está falando literalmente ou ilustrativamente?

Ilustrativamente [hipérbole?] pois afirmara Rm 8:35-38. Lembra Moisés [Ex 32:32].

“Uma fagulha do fogo do amor substitutivo de Cristo” [Denney], pois Paulo afirma que estaria disposto a morrer no lugar deles  [Se possível você faria por alguém?]

Tópico 2: Os Privilégios de Israel [Slide]

- Sua angustia deriva em função dos privilégios que o seu povo possuía. Uma lista de 8.

a. Adoção [Ex 4:22, Os 11:1] – Eles eram os filhos de Deus
b. Glória  [o visível esplendor divino no tabernáculo, no templo e nos santos dos santos Ex 29:42, I Rs 8:10, I Sm 6:2]
c. Alianças [Deus com Abraão, renovadas com Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Ex 24:8, II Sm 23:5]
d. A Lei [a única revelação da vontade escrita Dt 4:7]
e. Culto
f. Promessa [Messiânica – o centro do VT – tríplice ofício de Cristo]
g. Patriarcas [Abraão..., uma galeria de heróis e gingantes de causar orgulho a uma nação]
h. Cristo – [as palavras do v.5 refere-se a quem?  [a] a Cristo [b] Ao Pai [c] Em parte para Cristo e para o Pai.]

Tópico 3: 1ª. Pergunta: A Promessa de Deus Falhou? [6-13]

- A primeira vista parece que sim, mas se houve algum fracasso foi devido a incredulidade deles, não da Palavra. Houve sempre 2 “Israel”[ étnico/espiritual – ver Gl 3]. A promessa destinava-se aos “espirituais”.
- Para provar ele argumenta:

[1] Somente os filhos da promessa são filhos de Abraão [v.7-8], estes são a verdadeira descendência de Abraão, não são todos os filhos naturais de Abraão [3 ramos].
[2] Isaque e seus dois filhos, Esaú e Jacó. Deus escolheu Isaque, não Ismael, escolheu Jacó, não Esaú. E aqui vem em relevo a soberania de Deus, Isaque e Ismael eram filhos de mães diferentes, mas Jacó e Esaú da mesma mãe, Rebeca. [v.10,11].

A escolha de Deus de Isaque, não Ismael, de Jacó e não de Esaú não se origina neles, nem em nada do que eles tenham feito, mas na mente e na vontade de Deus [veja-se 12,13]. O que significa “odiar”? Ver Lc 14:26 e Mt 10:37. Deus colocou Jacó acima de Esaú. Não se pode esquecer a responsabilidade de Esaú em suas escolhas. Soberania Divina e Responsabilidade Humana andam juntas. [Duas retas paralelas que se encontram no infinito].

Em suma: A promessa não falhou apenas se cumpriu no Israel [espiritual] dentro do Israel físico.

Tópico 4: 2ª. Pergunta: Deus é injusto? [14-18]

- Se a promessa não falhou, se cumpriu em Abraão, Isaque, Jacó e na linhagem espiritual, conforme a soberana eleição, Deus não seria injusto? Escolher uns para a salvação e deixar outros de lado parece uma injustiça.

- Sua resposta: Não! [v.14] E explica v.15-16. A base da salvação não é a justiça, mas a misericórdia. Então ele cita as palavras a Faraó [v.17].

Slides [Deus é a causa do endurecimento de Faraó?]

 “Notemos primeiramente que nem aqui nem em qualquer outro lugar Deus disse endurecer alguém que primeiro não tenha endurecido a si mesmo" ... [Leon Morris]

Faraó endureceu seu coração diante de Deus, recusando-se a se humilhar. Deus endureceu em um ato de juízo, Deus o abandonou entregando à sua própria depravação [Rm 1:24,26,28]

Em suma: Deus não é injusto, pois os homens são pecadores aos olhos de Deus  e culpados [Rm 3:9] ninguém merece ser salvo. Se Deus endurece alguns, isto é seu juízo pelo pecado, se compadece de outros não está sendo injusto, age por misericórdia [Vídeo do John Piper]

A surpresa não é porque alguns vão é porque alguns perecerão, mas porque alguns serão salvos, pois ninguém merece nada da parte de Deus. Se alguém se perder a culpa é sua, se alguém for salvo, o crédito é de Deus. Quem não gosta de tensão [paradoxo] desista da Bíblia: [1] Bíblia, divina e humana [2] Cristo, divino e humano. [Princípio da Hermenêutica: “Se duas coisas parecerem contraditórias”...].

Tópico 5: 3ª. Pergunta: Por que Deus ainda nos culpa? [19-29]

Se a salvação depende dele e se nós não podemos resistir sua vontade, então por que Deus nos culpa? É justo que Deus cobre de nós, se ele é quem decide as coisas? Eis a resposta de Paulo:

a. Deus tem o direito sobre nós como o oleiro tem sobre o barro [19-21]

- Considere quem nós somos: Somos homens [v.20ª], se existe uma distância ontológica e moral entre Deus e o homem, não faz sentido questioná-lo [Is 29:16, 45:9] Paulo condena a postura arrogante do questionador, não aqueles que humildemente sente dificuldade em compreender. O alvo aqui é a rebeldia, os que levantam os punhos contra Deus. Quando diante de Deus devemos tirar as sandálias, jogar nossa cabeça nos chão, por a mão na boca [Jó 40:4, 42:3,6 – Deus não deveu satisfação a Jó. [Veja a frase de Hodge na pg. 328]

b. Deus se revela como Ele é [22-23]

A liberdade de Deus em compadecer de uns e endurecer outros é compatível com a sua justiça. Todos os seus atos estão em plena harmonia com sua natureza [Tu és bom e fazes o bem Sl 119:68]. Deus age em perfeito acordo com sua ira e sua misericórdia, não se pode questionar.

Deus suportou com paciência – Deus retardou um juízo, sua ira se acumula. [A parousia]
Preparados – significa prontos e maduros para isso, sem indicar, contudo, o agente responsável por tal preparação.

c. Deus previu estas coisas na Escritura [24-29]

Entre os vasos de honra preparados por ele [23], está ele [Paulo] e os leitoras [romanos], ou seja os gentios [25-26], algo previsto no AT. [Oséias e Isaías]

Oséias – diz respeito a esperança de Deus amar aqueles que ele havia declarado não amar e tê-los como seu povo aqueles que ele havia dito não serem seu povo, referindo-se aos gentios.
Isaías – diz respeito a exclusão de Israel [menos o remanescente fiel]

Tópico 6: 4ª. Pergunta: Que diremos pois?

Os gentios tiveram o que não buscavam, e os judeus não tiveram o que buscavam. Estes não obtiveram porque o meio que escolheram para obter era impossível. Os gentios obtiveram pela fé, outros queriam pelas obras. O fracasso de Israel [aqui não é a eleição], foi sua insensatez [v.30], eles não creem no Cristo crucificado!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Escola Teológica Charles Spurgeon
Prof. Luiz Correia
Plano de Aula

Romanos 8

- Capítulo do Espírito Santo [19x entre 1-27]. O contraste apresentado é entre a fragilidade da lei e o poder do Espírito. O pecado que habita em nós torna a lei incapaz de nos ajudar em nossa luta, a resposta é o Poder do Espírito Santo. [8:2] Ele é também a garantia da nossa ressurreição e glorificação [v.11,17,23]. A vida cristã consiste em uma vida no Espírito [animada, sustentada, orientada e enriquecida]. Sem o Espírito Santo a vida cristã é impossível.

- Este tema está vinculado com outros, especialmente a da segurança do cristão. O Espírito é a marca dos que são de Cristo. E o testemunho dEle é que nos garante que somos filhos de Deus. [15-17]

1. A Habitação do Espírito – A base da Santificação

a. A Libertação do Espírito [1-4]

- “Portanto” [v.1] Conclusivo da seção do capítulo 5, sobre a salvação por meio da morte e ressurreição de Cristo.
- O texto abre com uma benção que é a justificação [v.1] [ver Rm 5:1]. Nosso pecado foi satisfeito em Cristo. Nossa justificação está assegurada [v.33,34].
- Fomos libertados, logo não há condenação. [v.2]. De que? da lei do pecado e da morte. Refere-se a lei de Deus [Rm 7], lei que revela, provoca e condena o pecado [7:7-9] e produz a morte [7:13]. Logo, não estamos mais debaixo dela, não dependemos dela para nossa justificação e santificação.
- E como fomos libertos? Pela lei do Espírito de Vida ou o evangelho [Rm 1:16]
- A lei não podia nem justificar e nem santificar, pois estava enfraquecida [3-4]. Ela era impotente por causa da carne. Então Deus o fez. Como? Para nossa justificação enviou Seu Filho [v.3] para nossa santificação enviou o Espírito Santo para habitar em nós que nos capacita a cumprir a lei [v.4]
- A trindade na salvação – O pai envia o Filho e Espírito – O Filho morre – e Espirito é enviado pelo Pai e Pelo Filho para em nós habitar. Quem é o salvador? O Pai, O Filho e o Espírito [I Pe 1:2]

b. A mente do Espírito [5-8]

- A obediência à lei só é possível para aqueles que andam no Espírito e não na carne.
- Carne aqui se refere a nossa natureza humana caída e egocêntrica. Espírito refere-se ao Espírito Santo. [Gl 5:16ss]. Os que se inclinam para a carne e os que se inclinam para o Espírito. É a sua natureza que determinam a sua inclinação.
- Essa inclinação tem consequências eternas [v.6]. Os que são dominados pela carne já são voltados para a morte espiritual e leva para a morte eterna; os do Espirito geram vida e paz. São vivos para Deus [Sl 42:1, 63:1] e paz [Rm 5:1]. A busca da santidade, de andar no Espírito é o caminho da vida e paz.

c. Habitados pelo Espírito [9-11]

- O que identifica o verdadeiro cristão se ele é ou não habitado pelo Espírito, os filhos de Adão são habitados pelo pecado, mas os filhos de Deus são habitados pelo Espírito, que vai combater e subjugar o pecado. Todo o cristão verdadeiro é habitado pelo Espírito [Concepção falaciosa do Batismo no Espírito Santo como segunda benção] [I Co 6:19] A benção do Espírito santo é a benção de caráter inicial e universal [Gl 3:2] recebida mediante o arrependimento e fé provinda da pregação do Evangelho.
- A manifestação deste Espírito pós-conversão é flutuante e variável [cheio, entristecer, apagar], mas nunca é retirada ou perdida.
- Quais as consequências de ser habitado pelo Espírito? [10-11]:

[1] Vida, em contraste com a nossa mortalidade herdada pelo nosso pai Adão, e Vida por causa de Cristo. Sendo que o destino final é a ressurreição [v.11], eles ainda não foram redimidos, mas serão. Por que tal certeza?  Porque o Espírito habita em nós!
[2] Dívida é a segunda consequência da habitação do Espírito [v.12]. Paulo falou da dívida de compartilhar o evangelho a outros [Rm 1:14] aqui refere-se a uma vida justa, devemos viver de acordo com os desejos do Espírito Santo.

2. Adoção – Testificada pelo Espírito [12-17]

Todos são filhos de Deus?

A nossa filiação com Deus é grande motivo para nossa obediência a Ele.[12-14]
A nossa filiação também nos faz obedecer à vontade de Deus num relacionamento mais estreito e pessoal do que a de um servo ou de um devoto. [15]. Ele substitui o medo pela liberdade em nosso relacionamento com Deus.
O relacionamento de filiação se desenvolve pelo testemunho do Espírito. [16]
A nossa glorificação se torna possível por causa da nossa filiação.[17]

3. Glorificação – [18-25]

Paulo passa do ministério do Espírito Santo no presente, para a glória futura dos filhos de Deus. Sofrimento e glória domina a seção. Tanto da criação como dos filhos de Deus.

a. Sofrimento e glória são companheiras inseparáveis. Vista em Cristo e na vida do seu povo [v.17]
b. Sofrimento e glória caracterizam as duas eras, a presente e a futura [v.18]
c. Sofrimento e glória são incomparáveis [II Co 4:7] As glórias eternas há de sobrepujar em muito o incomodo de nossos sofrimentos.
d. Sofrimento e glória tem a ver tanto com a criação de Deus como com os filhos de Deus [20-25]. A criação que compartilhou da maldição há de ser redimida [os pássaros cantam em tom de tristeza]. Expectativa significa cabeça erguida esperando algo atenciosamente [Fp 1:16], na ponta dos pés e com pescoço esticado inclinado para frente para poder ver. Ao ver a revelação dos filhos de Deus a criação será redimida.

4. Oração [26-27]

O Espírito nos capacita a orar de modo conveniente.

O Espírito não só nos sustenta na nossa esperança cristã como nos ajuda na nossa fraqueza. Ele opera quando oramos. Cristo é nosso intercessor [nas cortes celestiais] e o Espírito nos corações.
Gemidos inexprimíveis [grandes gemidos que as palavras não podem explicar, sem palavras. E por que não sabemos orar? Oro por libertação do sofrimento ou por forças para suportá-lo? O Espirito é o tradutor de nossos anseios.
A comunicação entre Deus e o Espírito pode não ser expressa em palavras.
O Espírito intercede por nós segundo a vontade de Deus.

5. O Propósito e o Processo da Experiência Cristã

Cinco convicções inabaláveis [28]

1. Deus age em nossas vidas
2. Deus age para o bem do Seu povo; [o que é o bem?]
3. Deus age para o nosso bem em todas as coisas
4. Deus age para o bem daqueles que amam o amam.
5. Os que amam a Deus são aqueles que foram chamados segundo o seu propósito
O amor que sentem por Deus é um sinal de que foram amados primeiros  [I Jo 4:19]
Deus tem um propósito salvífico e age de acordo com esse propósito. A vida não é uma confusão desenfreada que as vezes parece. As vezes não aceitamos as ações de Deus. José diria amém! Pois foi essa sua convicção e teologia [Gn 50:20]

Cinco afirmações Incontestáveis [29-30]

1. Deus de antemão conheceu

Não é que Deus previu quem iria crer. Não é isto, pois Deus conhece todos de antemão, não só os eleitos, segundo se Deus predestina as pessoas porque haveriam de crer, então a salvação depende dos seus próprios méritos e não da misericórdia divina. Conhecer implica em relacionamento pessoal, cuidado e afeição [nunca vos conheci, Sl 1:6], ou seja, conhecer a amor soberano. [Dt 7:7] A fonte de eleição e predestinação divina é o amor divino, soberano e gracioso.

2. Deus predestinou

Deus nos escolhe soberanamente, não negamos nossa “decisão”, mas esta é uma resposta. É um grande e poderoso ensino da Palavra. [At 13:48, Jo 6:56, 5:40. Elas não vão a Jesus porque não podem e não querem.
Essa doutrina gera humildade, segurança e gratidão! Ele gera convicção ao pregador [At 18:9-10]

3. Deus chamou

O chamado é a aplicação histórica do chamado. É irresistível. Este chamado vem pelo evangelho.  É a convicção divina que levanta os mortos.

4. Deus justificou

5. Deus glorificou

Faltou santificação, está implícito [Rm 8:29, semelhantes a Jesus]. E justificou está no passado [aoristo] [certeza e convicção plena]

Cinco Perguntas Sem Respostas:

1.      “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (v. 31).
2.      “Aquele que não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com Ele, e de graça, todas as coisas?” (v. 32).
3.       “Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” (v. 33).
4.      “Quem os condenará? Foi Cristo Jesus quem morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós” (v. 34).
5.      “Quem nos separará do amor de Cristo?” (v. 35).


Escola Teológica Charles Spurgeon
Prof. Luiz Correia
Plano de Aula

Romanos 7

Introdução ao Capitulo 7

- Vimos que a Lei não foi nos dada para nos salvar, pelo contrário ele nos conscientiza do pecado e condena o pecador [Rm 3:19-20].
- Uma afirmação chocante para a mente judaica: “Não estais debaixo da lei...” [Rm 6:14]. Esta afirmação requer Romanos 7, como resposta pois afirma [v.4,6]. Como ousa Paulo descarta a lei? [ver Sl 19,119]. Isto não promove o pecado? Como pode afirmar a liberdade da lei? [Antinomismo].
- Tal visão incorreta da lei, ainda subsiste nos dias atuais. Para alguns a lei foi abolida e que o único valor é o amor, alguns advogam a completa anulação da lei moral, Rm 7 é relevante para esta questão.
- Então o que vem a ser “não estais debaixo da lei?”
[1] Em Rm 6:14, há uma frase esclarecedora “mas debaixo da graça” – referindo-se a forma de justificação, que não se dá mediante a obediência a lei, mas é por pura graça.
[2] Em Gl 5:18, a antítese é entre a lei e o Espírito referindo-se a santificação, que não se dá pelo esforço para guardar a lei, mas pelo poder do Espírito.

Logo nem a justificação ou a santificação decorre da lei, pois a justificação é pela graça e a santificação pelo Espírito.

- Neste sentido fomos libertos da lei, mas isto não significa um divórcio completo, no sentido que ela não tem nenhum valor ou que não temos nenhuma responsabilidade para com ela. Ela contínua sendo uma revelação da vontade de Deus.

- Há três possíveis atitudes para com a lei:

[1] Legalismo [os que acham que seu relacionamento com Deus depende de obediência a lei, o problema dos judaizantes da Galácia, há grupos denominacionais que ilustram tal atitude ]

[2] Libertinos [os antinomianos, outro extremo, estes  rejeitam completamente a lei, declarando-se livres de qualquer responsabilidade para com a lei, confundem liberdade com libertinagem [Jd 4]]

[3] Livres para cumprir a lei [ é o equilíbrio, estes se alegram diante da libertação da lei, para a justificação e santificação, como na sua libertação para cumpri-la. Deleitam-se na lei por ser a revelação da vontade de Deus, mas reconhece que o poder para cumprir a lei não vem dela, mas do Espírito.

Em resumo, os  legalistas temem a lei e estão sujeitos a ela, os libertinos detestam a lei e repudiam, e os “livres para cumprir a lei” amam a lei e a cumprem. [Ils. O rapaz que foi ao médico e o divulgou sua capacidade]

Livres da Lei: Uma Metáfora do Casamento [1-6]

- Tema dominante: a libertação da lei [2,3,6]
- A autoridade da lei é limitada a duração da vida, o que invalida é a morte. A lei é válida para quem vive, a morte anula a lei.
- Para ilustrar ele usa o casamento. A morte muda às obrigações do que morreu e do que vive. A lei prende ao marido, a morte a liberta.  Ela deixa de ser esposa. O adultério vem quando se casa com o marido ainda vivo. Somente a morte libera para um segundo casamento.
- A aplicação: a lei reivindica senhorio sobre nós enquanto vivermos, estávamos casados com a lei, sujeitos a ela, mas a morte dá fim ao contrato e permite casar de novo. [v.4]. Pela união com Cristo  morremos [Rm 6]. Morrer para o pecado é assumir sua pena, que é a morte. A lei é que a prescreveu essa pena. Morremos para pertencer a Cristo [v.4] e frutificarmos [v.4] [filhos? – para  Martyn Lloyd Jones “santidade, fruto do Espírito”] A lei era impotente para fazer isto. Agora estamos casados com Aquele que tem força para fazer isto.

Questão? A lei tem poder sobre o cristão e ainda devemos obedecê-la?

Resposta: Sim e Não. Sim no sentido de que a liberdade cristã significa livres para servir e não para pecar. [v.6- escravos de Deus e da justiça] Não, pois as motivações e os meios mudaram. Servimos não porque nosso senhor é a lei, mas porque nosso marido é Cristo e nós queremos servir a ele. Não para nossa salvação, mas porque a salvação produz obediência.

Uma Defesa da Lei

- É a lei pecado? [v.1, 13] É a lei responsável pelo pecado e pela morte, uma influência terrível que deveria ser de toda rechaçada?  Paulo está ensinando o antinomismo? Não [7,13]
- A lei não gera o pecado, antes quem é culpado é nossa natureza pecaminosa [ils. Caroço de feijão no nariz]
- A lei é santa, justa, boa e espiritual, mas ela é incapaz de salvar os pecadores, e sua impotência gera conflitos íntimos.

A Fragilidade da Lei – ela não pode justificar e nem santificar.

A Identidade do “eu” [7-13]

Quem é o “eu”? Para os intérpretes, a pergunta é: de quem Paulo está falando?

1. Paulo no judaísmo [De si mesmo e de suas experiências no judaísmo]

a. A sua infância, antes de completar 13 anos, tornava-se responsável perante a lei por meio de uma cerimônia, essa emancipação gerava conflito [como um adolescente].
É difícil, pois um menino dizer que viveu sem lei, desde menino a ele [judeu] era inculcada a lei.[Dt 6:5ss]
b. Sua vida antes da conversão [fariseu]. Neste caso ele se via “irrepreensível” só que ele se deu conta que era pecador [10 mandamento fez isto], e ele se agonizou diante disto.
Não há evidências de alguma crise de Paulo antes da conversão.

2. De Adão como exemplo dos seres humanos.

Baseado no v. 9, onde Adão vivia na inocência, depois o mandamento, v.8 a serpente só atacou depois da ordem. O pecado lhe enganou [v.11] e sua desobediência gerou a morte [v.9,11].
Mas creio que é forçar a “barrar”, pois ele não faz alusão clara a Adão e Eva como em Rm 5.

3. De Israel e seu conhecimento da lei, mas fracassando em obedecê-la?

A lei é a lei mosaica [Tora], a vinda do mandamento é a doação no Sinai [v.9, os 10 mandamentos]

4. De todos os cristãos?

Descreve-se um crente regenerado e até maduro. Pensamento de Agostinho que influenciou os Reformadores.

a. esse “eu” se diz não espiritual [v.14,18] só um crente é capaz de confessar tristeza e descontentamento
b. Ele chama lei de santa, justa e boa [12,14,22]. Ele ama a lei, deleita-se nela. Fala de um regenerado.
c. “Miserável homem” [v.24] expressa muito mais desejo do que desespero. Esse é o conflito de Gl 5:16,17 [Calvino]. É a tensão do “já” e do “não ainda” [I Jo 3:1-2]

Este texto caracteriza, portanto a luta interior que todo o crente verdadeiro vive, conflito só existente na vida daqueles que tem o Espirito Santo e cuja mente foi renovada pelo Evangelho.

Mas há quem critique tal posição afirmando que é algo sem sentido afirmar que um convertido não pode fazer o que é bom [15-19]? Como pode um crente se dizer escravizado ao pecado? [14,23-25]

5. Uma pessoa em processo de conversão

Estão sendo levada a convicção do pecado, sentindo-se absolutamente condenadas, lutando para cumprir a lei pelas suas próprias forças, mas ainda não compreenderam o evangelho, seu estado é de “nem inconversas nem convertidas” estão experimentando a convicção, mas não conversão [Martyn Lloyd-Jones]

6. Um crente do AT

a. Um não convertido é inimigo da lei de Deus [8:7], este ama a lei de Deus [Sl 1:1, 19:8 119:47,97]
b. É convertido mas não é saudável e maduro [v.14,23 ele declara ser escravo e prisioneiro do pecado]
c. Ele não tem compreensão do experiência ou da pessoa do Espírito Santo. Que aqui está em silêncio [v.6]. Como a era cristã é a era do Espirito deveria ser mencionado muito mais. Rm 7 só fala da lei, é Rm 8 que falará do Espírito.

Em suma: Ela ama a lei [convertido], é escravo do pecado [não é um cristão liberto] e nada sabe sobre o Espírito Santo [não é um crente do NT] Então quem é? É um crente do VT, um israelita crente [discípulos antes do pentecoste] até judeus contemporâneo de Paulo. Eles amavam a lei, mas não tinham o Espírito Santo [Sl 51], era nascido pelo Espírito, mas não habitados, por isso não conseguiam guardar a lei que tanto amavam. No VT Espírito descia para tarefas especiais mas não habitava continuamente [Ez 36, Jo 14:27].

O problema é que Paulo se identifica com estes [“eu”] só que Paulo não era crente, era incrédulo e só veio a se converter em Atos 9.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Escola Teológica Charles Spurgeon
Aula de Romanos
Prof. Luiz Correia

Slides do Power-Point

SANTIFICAÇÃO

ROMANOS 6

·         Paulo estava pintando um quadro do triunfo da graça sobre a pecaminosidade do homem
·         Os críticos da Justificação Pela Fé afirmariam: “Essa doutrina é nociva pois incentiva a frouxidão moral
·         Esta reação deve ser sempre esperada quando a Justificação pela Fé é pregada com clareza [Gl 2:16ss]

A Resposta de Paulo: A Justificação nos une a Cristo [Rm 6:1-14]

·         Deus não somente perdoa o pecado, mas também nos liberta do pecado.
·         A mesma graça que quer nos salvar da punição do pecado é a mesma que quer nos salvar da presença do pecado.
·         A justificação não é uma ficção legal, na qual o status do homem é mudado, enquanto o seu caráter permanece imutável.

Esboço de Romanos 6:1-14

·         Nós morremos para o pecado [v.2]
·         Morremos para o pecado através do batismo, que nos uniu em sua morte [v.3]
·         Participamos assim também de sua ressurreição [v.4-5]
·         Nosso velho eu foi crucificado [v.6-7] Gl 2:19-20]
·         A morte e a ressurreição de Cristo decisivos, Ele morreu uma vez por todas para o pecado, mas vive continuamente para Deus [8-10]
·         Somos aquilo que Cristo é, ou seja, estamos mortos para o pecado, mas vivos para Deus [v.11]
·         Já que fomos vivificados da morte devemos oferecer nossos membros como instrumentos de justiça [12-14]

União Com Cristo

·         Sentido Jurídico – Deus declarou o crente morto e ressuscitado, tendo assim a sua dívida paga e sua glória confirmada.
·         Sentido Batismal – O crente morreu e ressuscitou com Cristo simbolicamente no batismo.
·         Sentido Moral – O crente é chamado a morrer dia a dia para o pecado e viver para Deus.
·         Sentido Escatológico – O crente morrerá definitivamente para o pecado e será glorificado por Deus.

AULA DE ROMANOS 6

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Apontamentos de Aula

ROMANOS 6

Paulo estava pintando um quadro onde a graça reina e triunfa sobre um quadro de culpabilidade universal [1:18-3:20]. Ao concentrar-se sobre essa graça maravilhosa oferece aos críticos combustível para se opor ao ensino da Justificação Pela Fé [veja Rm 3:8]. Então é hora de refutá-los. Este é o tema de Rm 6

Para os críticos a justificação pela fé torna inútil a prática de boas obras e, pior ainda, incentiva as pessoas a pecarem. Então “Vamos pecar cada vez mais a fim de dar a Deus a chance de perdoar mais e mais” [Rm 6:1]

A justificação pela fé não é uma mensagem perigosa e nociva? Se não é por obras que o homem é justificado isto não leva a frouxidão moral e uma vida sem frei e sem lei. Não incentiva ao pecado: pratiquemos o mal pois Deus é bom. [Mesma questão em Gl 2:16ss]. O nome disto é antinomismo [oposição a lei moral, ver Jd 4], pois descreve os que se colocam contra a lei moral e pensam que podem dispensá-la.

A resposta de Paulo é que a graça não só perdoa [judicial] mas ela liberta [santifica]. Nos une a Cristo [ver Slides 1-14]. Por meio da justificação [base] inicia-se um processo de santificação progressiva, de vitória do pecado [15-23], um novo processo de escravidão, não mas do pecado mas somos servos de Cristo.

Sempre que o evangelho da graça mediante a fé, ou seja, a salvação como uma dádiva de Deus, através de Cristo, sua morte, não por méritos humanos, mas apropriada pela fé somente é anunciado é natural uma reação por parte daqueles que ouvem de que tal evangelho é promotor de uma vida desregrada. O evangelho promove o pecado!  Inclusive eu creio que devemos esperar tal reação, pois esta reação legitima a pureza desta doutrina. Se nossa pregação não levantar tal crítica nossa pregação não é autentica.

É uma dúvida que pode ser gerada quando o evangelho é fielmente anunciado. Esta era a acusação dos judaizantes a doutrina da justificação da graça pela fé somente. Estes diziam que Paulo anunciava uma mensagem perigosa e destruidora, pois anunciava que o homem não é salvo pelas obras, mas por fé somente. Que tal ensinamento em vez de libertar o homem do pecado na verdade o encoraja. Cristo então passa a ser promotor do pecado.

De fato a pregação do Evangelho anuncia de forma tão extraordinária o perdão gratuito de Deus ao homem que é inevitável que venha tal dúvida. Pois essa graça é maravilhosa, pois Deus, em Cristo oferece perdão, paz ao coração culpado, purificação a consciência e a alma, reconciliação com Deus, restauração, glorificação, vida eterna, comunhão eterna tudo pela graça. Nenhum sistema religioso no mundo anuncia que a salvação se dar deste modo!

Então é possível que alguém possa ser exposto a esse evangelho maravilhoso venha a ser tentado a crer que esse Deus de amor, de misericordiosa não está preocupado com meus pecados, com minha ética, minha moralidade. Dirá os críticos: “O homem que foi levado a crer neste evangelho ele não terá nenhuma preocupação com a lei de Deus, pois ela não salva!”

É impossível pregar a mensagem do evangelho e não surgir tais questionamentos. Daí Rom 6.

Há quem então ensine ou mesma passe a viver um estilo de vida que, fundamentado no fato de que a salvação decorre tão somente pela fé e não por obras os dará um salvo conduto para viver uma vida de pecado, sem santidade, sem frutos, sem obras, pois afirmam – eu sou salvo pela graça e não por lei. Enfraquecem o senso de responsabilidade moral do homem, encoraja a transgressão da lei. Se Deus justifica pessoas más, de que vale ser bom?

Paulo como um excelente mestre-pregador sabedor de disto se antecipa a esse pensamento leviano de que alguns viverão uma vida pecaminosa, sem santidade, sem frei e sem lei, sem temor e sem princípios morais, pois, afirmariam: Sou salvo pela graça, não por obras da lei!

Resposta de Paulo:

1. A Justificação nos une a Cristo [Justificados em Cristo] [Rm 6:1-14]

Deus não somente perdoa o pecado, mas também nos liberta do pecado. A justificação não é uma ficção legal, na qual o status do homem é mudado, enquanto o seu caráter permanece imutável. Nossa justificação acontece quando somos ligados a Cristo pela fé e uma pessoa que foi unida a Cristo nunca mais será a mesma pessoa. Ela é transformada. Não somente a posição diante de Deus [de culpado para justificado] é mudada, é transformada, mas a pessoa é que é radicalmente transformada. É impossível uma vez unido a Cristo voltar para uma vida antiga e ter prazer no pecado, pecar a vontade, é impossível. Ele é uma nova criatura e começou uma nova vida.

A mesma graça que quer nos salvar da punição do pecado é a mesma que quer nos salvar da presença do pecado. A graça não nos leva para uma irresponsabilidade espiritual, não existe uma graça que pode lhe estimular a ser muito mal porque Deus é muito bom. Não existe uma graça que salva, mas não santifica! Mas o Cristo da Bíblia diz a mulher adultera: Nem eu tão pouco te condeno, vai e não peque mais.

Então não existe possibilidade nenhuma de alguém ser perdoado da culpa e não ser santificado. Pois não existe possibilidade nenhuma de Cristo ser ministro do pecado. Ele jamais estimulará um dos seus discípulos a viver uma vida no pecado! Ele é enfático – De maneira nenhuma...[Rm 6:2]

a. Nós morremos para o pecado [v.2]

Não indica insensibilidade ao pecado, mas fazer morrer os atos do corpo [8:13].

b. Morremos para o pecado através do batismo, que nos uniu em sua morte [v.3]

- O Batismo nas águas simboliza dramaticamente esta verdade, unido a Cristo.
- Não está ensinando regeneração batismal. O batismo não garante, ilustra uma realidade espiritual [I Co 1]

c. Participamos assim também de sua ressurreição [v.4-5]

- O nosso batismo foi uma espécie de funeral

d. Nosso velho eu foi crucificado [v.6-7] Gl 2:19-20]
e. A morte e a ressurreição de Cristo decisivos, Ele morreu uma vez por todas para o pecado, mas vive continuamente para Deus [8-10]
f. Somos aquilo que Cristo é, ou seja, estamos mortos para o pecado, mas vivos para Deus [v.11]

Temos que considerar o que de fato nós somos, a saber que estamos mortos, nossa velha vida terminou, a dívida paga e a lei satisfeita- não vamos mais querer coisa alguma com ela.

Ils. É como uma casada querendo viver como solteira. Ela pode viver? Sim, não é algo impossível. Mas é bom lembrar que ela não é. Olhe para a aliança do casamento, símbolo de sua nova vida com seu marido.
Pode um cristão querer viver como se ainda continuasse em seus pecados? Bem pode, pelo menos por um tempo, não é algo impossível. Mas ele deve lembrar quem ele é. É só recordar o batismo, símbolo de sua nova vida de união com Cristo e ele vai querer viver em conformidade com o compromisso.

g. Já que fomos vivificados da morte devemos oferecer nossos membros como instrumentos de justiça [12-14]

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A MULHER E A PREGAÇÃO DA PALAVRA!

Introdução:

Atualmente vemos cada vez mais mulheres sendo ordenadas pastoras [apóstolas]. Com o avanço cada vez maior do papel da mulher na sociedade de um modo geral, conquistando redutos que outrora era dos homens [ex. Dilma Russef presidenta] a mulher adentrou-se e entendeu que ela deveria ser pastora. A controvérsia gira em torno de duas posições que fundamenta os dois lados da questão:
Os igualitaristas afirmam que Deus originalmente criou o homem e a mulher iguais; a subordinação feminina foi parte do castigo divino por causa da queda. Em Cristo, essa punição (e seus reflexos) é removida; assim as mulheres têm direitos iguais aos dos homens, um destes é ser pastora.
Os diferencialistas entendem que desde a criação [antes da queda]. Deus estabeleceu papéis distintos para o homem e a mulher, visto que ambos são peculiarmente diferentes. O homem e a mulher, com suas características e funções distintas, se completam. A diferença é funcional e não implica em diferença de valor ou em inferioridade de um em relação ao outro.
Defendo esta posição, por acha-la inteiramente fundamentada na Palavra, no entanto embora a mulher não venha a ser pastora isto não implica em que ela não seja pregadora. Sim como crente redimida e salva ela deve pregar [Mc 16:15]. Meu propósito é expor os campos de atuações legítimos em que a mulher cristã deveria atuar, e assim desafiá-la para o ministério da pregação que vai além do púlpito de uma igreja.  Onde [campo ministerial ou quem] deve a mulher pregar?

I.                   PREGUEM A PALAVRA AOS FILHOS [II Tm 3:4-5]

Creio que aqui estar um campo precioso onde às irmãs devem investir na pregação da Palavra, o lar, em especial os filhos. E como exemplo bíblico apresento-lhes a mãe de Timóteo, Eunice, bem como sua avó, Loide.

Timóteo teve uma influência maravilhosa de sua mãe. Foi criado em um lar temente a Deus. Sem dúvida nenhuma o lar é uma das maiores influência na nossa vida. Timóteo herdou de sua mãe algo precioso. Sua fé. Mas do que traços de personalidade, ele herdou algo que faria toda diferença em sua vida. A fé! Não herdamos a fé como herdamos traços genéticos. Como foi herdado?

Pelo Exemplo

A base para um ensino eficaz desta fé, é que eu devo conhecer e devo viver. Paulo fala de uma fé “sem fingimento”. Uma fé autêntica, uma fé sem hipocrisia. Este é um poderoso exemplo que uma mãe pode conceder ao seu filho. Essa fé já estava na terceira geração. Mesmo antes de conhecer a Cristo, elas eram mulheres judias piedosas, quando se converteram sua fé se tornou profunda e robusta. Foi enriquecida e completa pela revelação de Cristo em seus corações.

Não podemos querer que nossos filhos tenham algo que não exista em nós. Não podemos dar aquilo que não possuímos. A fé primeiramente tem que habitar no coração da mãe, para que ela seja capaz de implantar a fé em seus filhos.

Pelo Ensino

O ministério de Eunice era também o ministério da pregação. Ela ministrou a Palavra ao seu filho e isto desde pequeno. [II Tm 3:15].

“Timóteo foi criado de tal modo que pôde sugar a piedade junto com o leite materno” [Calvino]

Tudo isto com algo que seria em tese um fator contrário, ela tinha um esposo descrente. [At 16:1]. Ou seja, é possível, que mesmo diante de tal realidade ministrar, instruir e gerar um grande homem de Deus.

O Exemplo de Susana Wesley

Suzana foi mãe de John [15°] e Charles Wesley [18°], responsáveis por um grande avivamento na Inglaterra nos Sec. XVII. Suzana Wesley teve 19 filhos e levou a levou a sério o ministério de ser mãe. Ela entendia o compromisso da maternidade como a responsabilidade de educar e formar homens e mulheres de Deus. Era a responsável pela alfabetização e evangelização dos próprios filhos. Que ocorria sempre aos cinco anos com a leitura da Bíblia. Mas não era só. Susana preocupava-se em demasia com a felicidade e realização de seus filhos. Cada um deles tinha uma hora marcada para uma conversa em particular com a matriarca da família, onde ela lhes ouvia os problemas e alegrias da semana. É comovente ler o que João Wesley, vinte anos depois de sair da casa paterna disse à sua mãe: "Em muitas coisas a senhora tem intercedido por mim e tem prevalecido. Quem sabe se agora também, na intercessão para que eu renuncie inteiramente o mundo, terá bom êxito?...Sem dúvida será tão eficaz para corrigir o meu coração, como era então para formar o meu caráter."

Depois do espetacular salvamento de João do incêndio, sua mãe, profundamente convencida de que Deus tinha grandes planos para seu filho, resolveu firmemente criá-lo para servir e ser útil na obra de Cristo. Susana escreveu estas palavras nas suas meditações particulares: "Senhor, esforçar-me-ei mais definitivamente em prol desta criança, ao qual salvaste tão misericordiosamente. Procurarei transmitir-lhe fielmente ao coração os princípios da tua religião e virtude. Senhor, dá-me a graça necessária para fazer isso sincera e sabiamente, e abençoa os meus esforços com grande êxito!"

Na biografia sobre Susana Wesley comenta-se: “Quando nos perguntamos como vinte e quatro horas podiam conter todas as atividades normais que ela, uma frágil mulher de trinta anos, era capaz de realizar, a resposta pode ser achada nessas duas horas de retiro diário, quando ela obtinha de Deus, na quietude de seu quarto, paz, paciência e um valor incansável”.  Desde o ponto de vista puramente material, a história de Susana foi de uma miséria invulgar, privações e fracasso. Espiritualmente, em mudança, foi uma vida de riquezas verdadeiras, glória e vitória, pois ela nunca perdeu seus altos ideais nem sua fé sublime. Durante uma dura prova, ela foi ao seu quarto e escreveu: “Ainda que o homem nasça para o infortúnio, eu ainda creio que têm de ser raros os homens sobre a Terra, considerando todo o corso de sua vida, que não tenham recebido mais misericórdia do que aflições e muitos mais prazeres do que dor. Todos meus sofrimentos, pelo cuidado do Deus onipotente, cooperaram para promover meu bem espiritual e eterno… Gloria seja a ti, oh Senhor!”

S.T. Eis uma maravilhosa área da pregação da Palavra que as mulheres possuem. Mães invistam na educação espiritual de seus filhos. Leia a Bíblia com eles, ore com eles, reparta sua experiência com eles. No entanto há outro lugar...

II.                PREGUEM A PALAVRA AS MOÇAS [Tt 2:3-5]

Quero fazer 3 perguntas investigativas ao texto:

Quem deve ensinar?

É dado a Tito [pastor] a incumbência de ensinar as mais velhas sobre o comportamento adequado delas [3] as áreas são: [1] reverência, ou santidade, a postura de um sacerdote, ou seja “estar na presença de Deus” e que isto permeie sua vida. [2] Não caluniadoras, fofoqueiras [3] Temperantes. Então do negativo [o uso da palavra inadequadamente] para o uso edificante [v.4]. A boca deve ser para instruir, ensinar. A quem?

A quem deve ensinar e por quê?

As moças recém-casadas. Por quê? Veja que Paulo estava orientando pastoralmente a Tito sobre sua responsabilidade em lidar com vários tipos de pessoas dentro da comunidade [idosos, idosas, rapazes].
Quando ele chega especificamente as moças casadas acontece algo inusitado. Não é dado ao pastor o pastoreio direto sobre elas, é uma ação “terceirizada”, ou seja, Paulo orienta que Tito oriente as mulheres mais idosas a instruírem as mais novas. É óbvio, todo o pastor deve ter cuidado com a aproximação indevida as moças, especialmente um pastor solteiro. [No meu pastorado é aplico este princípio, fazendo aconselhamento as mulheres somente na presença de minha esposa.]

O que deve ensinar?

É dado as mulheres a incumbência de orientarem as mais jovens nas duas principais missão: [1] a amarem o marido e os filhos. A ordem aqui é importante [1] esposo primeiro [2] filhos depois. Além devem ser sensatas, honestas, boas donas de casa. [amar o lar] bondosas e sujeitas ao marido.

A mulher e a atividade profissional. Há dois perigos aqui. O primeiro é o ativismo [mulheres que trabalham] que leve a negligenciar o marido e os filhos. O segundo é a ociosidade [mulheres que não trabalham] que possa tornar a mulher desocupada e fofoqueira [I Tm 5:13, Tt 1:11]

Uma palavra para as senhoras: “Senhoras sejam exemplos para que possam ter autoridade para assim fazerem. As jovens precisam de exemplos e que vocês sejam!” Eis um ministério maravilhoso das mulheres [senhoras].

Uma palavra as mais novas: “Busquem as mais idosas, busquem as mais santas e tementes, aprendam com elas.” É profundamente lamentável que haja uma separação das gerações [eu sinto isto em nossa comunidade]. Há uma resistência entre as mais novas para com as mais velhas. Devemos quebrar esta barreira e fazer uma ponte entre as gerações.

S.T. Portanto preguem a palavras uma as outras, mas não somente isto, há outro espaço para a pregação da mulher...

III.             PREGUEM A PALAVRA AO MARIDO [incrédulo] [II Pe 3:1-4]

Embora o texto se aplique diretamente as mulheres casadas [com maridos incrédulos] os princípios são para todas as mulheres, inclusive as solteiras [ver 3-4].  Elas não devem “pregar” verbalmente, mas visivelmente [comunicação não-verbal]. Através da vida, do procedimento. Eu não creio que Pedro está se opondo a qualquer forma de explicação do Evangelho da parte da mulher para com seu marido. Visto que é impossível que apenas a vida, o procedimento seja suficiente para converter o pecador. Jesus era a própria palavra encarnada, foi perfeito, mas não deixou apenas seu exemplo de vida ausente de comunicação verbal do evangelho.

Assim entendo que Pedro não se opõe a pregação da mulher, o que se opõe seja a ansiedade ou insensatez da mulher que tentar impor sua fé “guela” abaixo. Esta atitude geralmente opressora ao invés de produzir bons resultados acaba é afastando mais e mais o homem do evangelho. Muitas mulheres cheias de boas intenções torna-se toca-fitas ambulantes. Em seus esforços de ganharem o marido para Cristo, mencionam Deus em cada sentença, e o marido não tem uma conversa normal com sua esposa. Ele ouve um sermão dela acerca de como Deus criou as vacas maravilhosas que tornaram possível o bife que está no prato do marido.

A mulher deve pregar principalmente com sua vida! Esta sua pregação ele verá. E assim ouvirá. A esposa conseguirá mais pelo comportamento do que simplesmente pela fala. Li de uma esposa: “Não contei ao meu marido que me converti. Quero primeiramente que ele note tal mudança em minha vida a tal ponto de perguntar: O que está acontecendo com você? Por que está diferente? Então, quando eu lhe disser, será compreensível”

E qual é o conteúdo deste meu sermão sem palavras?

Submissão - As mulheres devem “funcionalmente” se sujeitarem aos maridos. A título de organização, não como sinal de inferioridade ou mesmo fraqueza ou incapacidade.   Aqui o caso especifico é a submissão deve ser dada até mesmo ao um marido incrédulo. Obviamente essa submissão não é absoluta, mas condicionada, submissão absoluta somente a Deus. Esta estrutura mulher crente e marido descrente é uma relação que exige muita sabedoria, é por si só delicada [Ils. Irmã Isabel]. O costume da época é que as mulheres seguissem a religião do marido [que geralmente ocorre], não o contrário.

Honesto Comportamento [2:12]- É uma responsabilidade de todos os cristãos [aliás há uma crise de credibilidade no meio cristão evangélico devido a falta de um testemunho exemplar]. Esse honesto proceder é um forte testemunho de Deus no meio de nossa geração. Os “descrentes” nos observam. Somos pregadores ambulantes, mesmo calados. Somos sermões vivos, andando de um lado para o outro. Da mesma forma o marido, verá [observar atenta e reflexivamente]. “Minha esposa está diferente, não reclama, não murmura, não grita..., por que???” A marca maior deste comportamento é o temor, temor a Deus. É honesto [puro, limpo]. Este é a força do evangelho, o poder patente do evangelho que alcançou o coração da mulher e lhe transformou, a ponto de mesmo caladas, serem poderosamente eloquentes no seu testemunho.

Mansidão – Todos sabemos que a mulher é por natureza dada a beleza. Uma mulher descuidada é sinal de algum problema emocional. A beleza feminina é absolutamente normal [a noiva de Cristo]. O texto em nenhum momento argumenta contra a beleza feminina. A questão é que como a mulher é pecadora, essa ênfase natural da mulher pode ser invertida. A mulher pode preocupar-se excessivamente com a aparência em detrimento a vida interior. Então o que deve prioritariamente embelezar a mulher? [4] Seu traje mais belo é seu interior, seu vestido mais excelente é sua mansidão. É o intimo da pessoa, aquilo que ela é por dentro, isto é incorruptível [a beleza é corruptível 1:24],  a beleza é temporária, a beleza interior se aperfeiçoa e se adorna mais e mais com o tempo. Aqui fala da mansidão, que é uma confiança em Deus, uma mulher serena, tranquila e humilde. Que possui uma paz interior em relação ao Senhor. Isto sim tem valor!!! Sua fé vale mais que ouro e joias e beleza! E uma mulher temente seja ela quem for, é bela!

Conclusão:

Amadas irmãs, estejam cheias da Palavra e do Espírito Santo, que concede poder e então preguem a Palavra a seus filhos, preguem a palavra a moças e preguem a palavra aos maridos. Só? Claro que não! Preguem a palavra a toda criatura! [Mc 16:15]