quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Escola Charles Spurgeon
Prof. Luiz Correia
Introdução ao VT

Plano de Aula 1

AULA
DATA
CONTEÚDO
TEXTO BÁSICO
01
28/02
Apresentação do Curso
Aspectos Introdutórios ao Estudo do VT
O Pentateuco: De Gênesis a Êxodo
Panorama do AT – cap.1,2
Conheça Melhor o AT – pg.13-35
Entenda o AT – pg. 11-24

I. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO VT

1. Por que estudar o VT?

- É o livro dos judeus e cristãos
- É menos conhecido do que o NT
- Há um preconceito [velho?!] e uma natural dificuldade na leitura [contexto]
- Há uma visão distorcida de Deus, no VT Deus irado; no NT um Deus de amor.
- É fundamental para a compreensão do NT [Ex. Gl 4:21-31]
- O NT possui cerca de 600 referencia do VT

2. Você já leu o AT? É familiarizado com o seu conteúdo?
   - Sabe a ordem dos livros?
   - Onde está registrado a profecia da morte do servo sofredor?
   - Qual é o conteúdo de Daniel? Ou o que trata Jonas?
   - Qual é o conteúdo mais conhecido ou amado e o mais desconhecido?

3. Qual é a mensagem central do VT?

 Há um grande debate, entre tantas respostas...

- Aliança [Deus escolhe o povo de Israel e a este povo eleito quer transmitir a sua Palavra]
- Promessa [Jesus, o redentor virá]
- Juízo e Misericórdia 

4. Os Tempos do AT

- A história do VT é registrada entre Gn a Et [17 livros]: De Adão a Terá e depois de Abraão [2000 a.C] até a reconstrução dos muros de Jerusalém [450 a.C]. Os demais livros [poesia e profecia] ampliam a visão fornecendo detalhes políticos, religiosos e culturais.

- O AT [basicamente é uma narração histórica] é mais do que um relato sobre a nação judaica, é revelação de Deus [Lc 22:44 Rm 3:2]. São relatos naturais guiados pelas obras sobrenaturais de Deus.

5. Uma visão panorâmica do VT

A era dos primórdios [Gn 1-11]
Os patriarcas [Gn 12-50]
Israel torna-se nação [Ex a Dt]
Conquista e ocupação [Js, Jz e Rt]
O reino unido [I e II Sm, I e I Re, I e II Cr]
A era pós-exílica [Ed, Et e Ne]

6. Uma visão dos livros

Livros Históricos [17 livros - Gn – Et]
Livros Poéticos [5 livros – Jó – Cantares, Lm]
Livros Proféticos [17 livros – Isaías – Malaquias]

Obs. Na bíblia hebraica são 24 livros a ordem é A Lei [5- Torah], Os Profetas [8 -Js, Jz, Sm e Rs, Is, Jr, Ez e os 12 menores], As Obras Literárias [11- Jó, Sl, Pv, Ct, Rt, Lm, Ec, Et, Dn, Ed-Ne, Cr]

II. GÊNESIS [Origem / “Bereshith”= “No princípio”]

AUTORIA [Pentateuco]: Moisés

1. O Pentateuco testemunha [Ex 17:14, 34:27. Dt 31:9,24]
2. O NT confirma [Jo 1:17, 5:47, 7:19, Rm 10:5, 19]
3. Ele dispunha de fontes orais e escritas para contar a história de Israel.

PROPÓSITO

1. Histórico – Narrar à origem do homem, sua queda e juízo e o programa redentor de Deus.
2. Teológico – Salientar a soberania de Deus sobre a criação e enfatizar a responsabilidade do homem para com Deus soberano.

ESBOÇO

1. A Era dos Primórdios [Gn 1-11]

a. Criação [1-2]
b. Queda [3-6]
c. Dilúvio [6-8]
d. A Nova Geração [9-11]

2. Os Patriarcas [Gn 12-50]

a. Abraão [12-24]
b. Isaque [21-26]
c. Jacó [27-36]
d. José [37-50]

CONTÉUDO PRINCIPAL

- Gn 1-11, da criação até aproximadamente 2000 a.C  [maior que o restante do VT] e é a introdução de toda a Bíblia. É fundamental na compreensão das Escrituras.

Criação

- Deus é o sujeito, sua existência é presumida. O relato é literário, não científico.
- A criação é a partir do nada [vb. bara – ex nihilo] pela palavra [Hb 11:3]. Sua palavra é poderosa!
- A criação foi uma série ordenada de atos divinos. O trabalho de Deus é bom. As coisas criadas são boas!
- O dia da criação é de 24 horas:
  a. A expressão tarde e manhã [Gn 1:5,8]
  b. Ex 20:11 compara os seis dias com seis dias literais de uma semana.
  c. Deus criou o mundo “envelhecido”.
- O homem é a coroa da criação, sendo dotado da imagem e semelhança de seu Criador.

A Queda

- Gn registra a entrada do pecado e do mal no mundo. Ele não foi criado por Deus, mas surgiu no coração de Adão e Eva. A causa foi a rejeição a vontade de Deus, não o ambiente, nem a serpente e nem mesmo o fruto. A vontade de Deus é a melhor!
- O pecado se alastrou do primeiro casal, ao lar e do lar a toda sociedade [Gn 6:11-12]: ciúme, assassinato, medo, imoralidade e orgulho. No entanto temor e devoção são vistos em Abel, Enoque e Noé.
- Deus pronunciou julgamento em todas as partes envolvidas como também preanunciou a redenção, prometendo que um descendente da mulher obteria a vitória sobre a descendência da serpente [o Proto-Evangelho Gn 3:15]. Deus fez provisão ainda no Jardim do Éden por meio das vestimentas de pele, deixando claro que o derramamento de sangue era o meio de redenção.

O Dilúvio

- A grande iniquidade foi a causa do julgamento. Deus preanunciou o julgamento e concedeu graça a Noé.
- Deus preservou a vida humana e animal por meio da arca.
- O dilúvio foi um julgamento terrível e universal que serviu de advertência para o restante da humanidade [I Pe 3:20, II Pe 2:5, 3:3-7]

Abraão [O homem que Deus chamou]

- É um dos personagens mais conhecido. Considerado um patriarca pelo islamismo, judaísmo e cristianismo. É o pai da fé e o amigo de Deus.
- Era de família idólatra [Js 24;2,3] e com ele Deus fez uma aliança, chamada de Aliança Abraâmica  [Gn 12:1-3]. Nesta aliança Deus prometeu: [1] Povo [2] Terra e [3] Bênçãos. Deus ratificou sua aliança com Abraão em outros seis encontro [12:1-3, 7, 13:14-17, 15:8-18, 17:10, 22:16-18]. Essa aliança era incondicional, garantida somente por Deus, não podendo ser anulada pelas falhas de Abraão. Foi parcialmente cumprida na primeira vinda, mas aguarda cumprimento final na segunda vinda. [Gl 3:16]

Isaque [O homem que Deus guiou]

- Deus providenciou para ele uma esposa, fê-lo um pai, o sustentou em tempo de fome. Três coisas na vida de Isaque ilustram atitudes sábias: altar [adoração] , acampamento [peregrinação] e poço [recursos]  [Gn 26:25]

Jacó [O homem que Deus mudou]

- Jacó, um homem autoconfiante, que viveu problemas e dificuldades familiares, mas foi extremamente abençoado por Deus e também por Ele transformado em seu caráter e nome [Gn 32:24-32]

José [O homem que Deus usou]

- Era o filho predileto de Jacó. Desprezado, perseguido e vendido pelos irmãos. Pelo amor a pureza foi preso, injustiçado e esquecido. Depois lembrado e abençoado para ser o instrumento de Deus para cuidar de seu povo. Deus usou a tragédia para seus propósitos.

Desafio: 
Como foi que Caim conseguiu sua esposa?
Onde está Cristo em Gênesis?

III. ÊXODO [Hb. “São estes os nomes” / LXX “saída”]

AUTORIA [Pentateuco]: Moisés

PROPÓSITO

Descrever como Deus livrou Israel da servidão do Egito conduzindo-o a uma condição de um povo num relacionamento de aliança com Ele. É o registro do passado glorioso, do livramento e da redenção de Deus pelo seu poder e pelo sangue do cordeiro.

ESBOÇO

1. A Saída – O poder de Deus [1-18]
2. A Lei – Os princípios de Deus [19-24]
3. O Tabernáculo – A presença de Deus [25-40]

CONTÉUDO

A Vida de Moisés – 3 períodos de 40 anos

1. 0-40 anos que vão do lar dos seus pais ao palácio. No lar materno sua formação espiritual, na corte de faraó seu conhecimento intelectual, militar e político.
2. 41-80 anos exilados em Midiã, meditando e trabalhando como pastor. Casou-se e formou uma família.
3. 81-120 anos viveu no Egito e no deserto sendo um líder do seu povo. Servindo como profeta ensinou, como sacerdote intercedeu e como rei guiou e organizou o povo.

As Pragas

- As 10 pragas tiveram como propósito demonstrar o poder de Deus, sendo para faraó a oportunidade de se submeter a vontade de Deus, mas seu coração ficou endurecido.
- É o registro dos grandes milagres de Deus depois da criação, tais milagres visavam confirmar a Palavra de Deus por meio de Moisés.

A Páscoa

- É a mais importante [7 de setembro do Brasil ou 4 de julho do EUA] das festas de Israel. Tendo como finalidade: [1] Comemorar a salvação [2] lembrar que cada pessoa necessita de redenção espiritual do pecado pelo sacrifício de um cordeiro [3] Ensinar a necessidade da morte de Cristo que tipifica o cordeiro [Jo 1:29]

A Lei

- Nenhum documento escrito influenciou tanto a sociedade como a lei de Moisés [Moral + Civil + Cerimonial]
- Ela foi dada como objetivo revelar os princípios espirituais e morais de Deus ao seu povo, como um modo de vida não como um meio de salvação [Rm 3:31]. Retrata a santidade de Deus e a separação do homem pelo pecado.
- A lei moral foi repetida no NT, menos o sábado. [Ex 20:1-17]

O Tabernáculo 

Retrata a presença e a graça de Deus, como um lugar de encontro e comunhão pelo sangue. Retrata como um homem deve se aproximar de Deus [Deus é quem estabelece o modo].
 -Altar - Perdão pelo sangue
 -Pia [bacia] - Purificação pela limpeza
 -Santo Lugar – Poder de Deus pela participação e oração
 -Santo dos Santos – Presença de Deus pelo sangue aspergido e obediência.

Desafio:

Se é errado fazer imagens de escultura, por que então Deus ordenou a Moisés que fizesse uma? [Ex 25:18]
Onde está Cristo em Êxodo?


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A BÍBLIA, A PALMADA E A LEI DA PALMADA.

Luiz Correia – Aspectos Bíblicos-Teológicos
Adv. Marta Batista Landim – Aspectos Jurídicos

Introdução

    O bom e consagrado princípio da disciplina física, a sova, a surra, a pisa ou a velha pêia nas crianças encontra-se sob ataque da sociedade. Psicólogos, educadores, políticos e juristas erguem seus punhos contra Deus e sua Palavra advogando, em nome de seus princípios humanistas, que o uso da vara é algo obsoleto e desnecessário. Esta onda encontra sua expressão maior na chamada “Lei da Palmada” projeto de lei que tramita no Congresso Nacional que busca criminalizar qualquer disciplina física exercida pelos pais, mesmo que seja a mais leve palmada. Não podemos achar estranhos tais projetos, pois é natural que uma sociedade onde exclui Deus e coloca o homem como centro venha a produzir famigeradas leis. Pois o homem crer que é mais sábio do que o seu Criador. Sabemos pela Palavra de Deus que disciplina é ordem de Deus, uma ordem decorrente e necessária em função da natureza pecaminosa no coração humano. Essa natureza caída é manifestada bem cedo e precisa que seus frutos terríveis sejam logo podados. É fundamental que a igreja e as famílias tenham consciência do valor do uso da disciplina infantil e que, sobretudo saibam como aplicá-la. A crítica da sociedade e dos “expert” em educação infantil cairá por terra tendo em vista os frutos que a disciplina física corretamente aplicada obterá no caráter e na conduta de nossos filhos, mas tais “experts” se arvorarão se as famílias transformarem tais disciplinas físicas em atos de espancamento, fruto da falta de conhecimento e do abuso da autoridade delegada por Deus aos pais. A disciplina física nada mais é que um ato de amor, amor zeloso e cuidadoso que usa a dor menor para livrar o coração humano da dor maior e das graves deformações no caráter que se agregam em um filho que não foi disciplinado com vara. Por isso este estudo busca fundamentar o uso legítimo da vara à luz da Bíblia, oferece também respostas as falaciosas críticas que são feitas a disciplina física, apresenta um modelo prático de aplicabilidade da disciplina física na criança e por fim aborda a questão da Lei da Palmada e qual deve ser a atitude por parte dos cristãos se caso tal projeto de lei for aprovado vindo a se tornar uma lei. Tudo isso no anseio de que os pais cristãos se munam para que mantenham-se firmes no uso do princípio da disciplina física aos seus filhos visando sua maturidade e o preparo para viverem em uma sociedade onde há leis e limites e terríveis consequências para aqueles que não as respeitam.

I. BASE BÍBLICA PARA A DISCIPLINA FÍSICA INFANTIL

1. Provérbios 13.24 - O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina.

Princípios

§  Os pais omissos com respeito à disciplina de seus filhos se mostram inimigos deles;
§  Disciplina bem administrada é prova de amor.
§  Na disciplina não deve haver procrastinação. A correção deve ser feita o quanto antes, em sua possibilidade.

2. Provérbios 19.18

Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo.

Princípios:

§  A disciplina traz esperança de vida;
§  A falta de disciplina torna o pai cúmplice de sua morte (precoce);
§  A disciplina é um ato de amor do pai para com seu filho;
§  “Enquanto há esperança” sugere um tempo. Passado este tempo pode ser muito tarde.

3. Provérbios 19.19

NVI: O homem de gênio difícil precisa do castigo; se você o poupar, terá que poupá-lo de novo.
RA: Homem de grande ira tem de sofrer o dano; porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo.

Princípios:

§  Apesar da dificuldade, ninguém deve ser poupado da imediata disciplina, especialmente filhos iracundos ou de temperamento desagradável;
§  O pai mais uma vez se torna cúmplice de uma futura ação vergonhosa repetida do filho que não foi disciplinado;
§  O amor expresso na disciplina evita que o filho passe futura desonra ou vergonha nas atitudes pecaminosas do próprio filho não disciplinado.
§  A escolha por não castigar o filho será indubitavelmente repetida, visto que o filho não deixará de repetir sua perniciosa ação.

4. Provérbios 22.15

NVI: A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a livrará dela.
RA: A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.

Princípios:

§  A insensatez faz parte da natureza da criança e do jovem;
§  O castigo possibilita a criança afastar-se da “molecagem”.
§  A vara remedeia e previne a criança contra sua estultícia (insolência ) natural.

5. Provérbios 23:13-14

NVI: Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá. Castigue-a, você mesmo, com a vara, e assim a livrará da sepultura. 
RA: Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno.

Princípios:

§  O castigo corporal para as crianças é um mandato do céu. Não é uma opção, sugestão, ou teoria. Seu objetivo é simples - salvar crianças da morte desnecessária. Qualquer pessoa que se opõe a este mandato é cúmplice do assassinato de criança. Pais que rejeitam a vara odeiam seus filhos e causam-lhes mal. 
§  Como as crianças podem morrer? Filhos indisciplinados desobedecem aos limites de velocidade e a autoridade policial, envolve-se com drogas e criminalidade. Eles ostentam a raiva, inveja e orgulho, que pode causar conflitos fatais. Filhos indisciplinados violam leis civis que podem levar a morte.[1]
§  Mas há outras maneiras de morrer: [1] Como profissional porque não aprendeu a obedecer à autoridade e conviver com outras pessoas. [2] Como cônjuge porque o egoísmo inerente destruiu seu casamento. 

6. Provérbios 29.15

NVI: A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe.
RA: A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe.

Princípios:

§  A presença paterna e materna é necessária ao bom potencial psicológico, social e cognitivo da criança (sabedoria);
§  Não disciplinar é também não dar ou instruir a sabedoria à criança.
§  A criança (na’ar) alienada aos bons conselhos dos pais traz vergonha para eles.
§  “Soltar” a criança, deixá-la livre para fazer o que bem entende é ajudá-la a se manter na insensatez.

7. Provérbios 29.17

NVI: Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma.
RA: Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma.

Princípios:

§  A correção traz benefícios aos pais;
§  A disciplina sossega o insensato coração juvenil;
§  Será prazeroso ver futuras atitudes do filho disciplinado.

III. ASPECTOS PRÁTICOS PARA APLICAÇÃO DA DISCIPLINA FÍSICA INFANTIL

1. Que é a vara[2]?

§  Um instrumento flexível que arderá para realizar uma reprovação física. Infere-se que disciplina não deve ser feita com as mãos.
§  É um instrumento que não machuque a criança, mas que cause dor razoável.

2. Qual o propósito alcançado com a disciplina física?

§  Levar a criança ao entendimento que ela pecou contra Deus e que existe consequência do pecado.
§  A vara não irá erradicar o pecado. É designada por Deus para conseguir a atenção completa do seu filho para que você possa instruí-lo nos caminhos de Deus.
§  O uso imediato da vara é a reação apropriada de um pai quando um filho peca.
§  A criança deve associar dor à desobediência que desagrada a Deus.

3. Qual é a idade inicial e final da disciplina física?

§  Não se pode estabelecer uma idade específica, pois o desenvolvimento cronológico não é simultâneo a maturidade, variando de criança para criança.[3]
§  Devemos discernir quando uma criança pequena está usando um comportamento [choro] como manifestação de uma necessidade [fome, dor, desconforto] ou apenas birra e manipulação.
§  Os pais devem lembrar que toda criança nasce com a natureza pecaminosa, manifestando em seus atos o egoísmo e a teimosia [Sl 51:5, 58:3]
§  A disciplina deve diminuir conforme a criança amadurece e os princípios de submissão são internalizados. Quando ficam mais velhas espera-se que elas sejam auto-motivadas a tomar decisões sábias.
§  Espera-se que a disciplina seja desnecessária no adolescente ou jovem se estes forem desde cedo disciplinados, no entanto enquanto sob a autoridade dos pais os filhos independente de idade[4] podem ser disciplinados fisicamente.[5]

4. Que elementos são fundamentais para a eficácia da disciplina física?

Amor
§  A disciplina deve ser exercida num ambiente de amor [Hb 12:6]. A disciplina eficaz é impossível sem amor. É o amor que livrará a disciplina física de ser corrompido em um descarregar de raiva ou numa vingança.
§  O amor sem disciplina não tem substância e genuinidade [Ap 3:19]. A disciplina desprovida de amor é fria e militar.

Domínio-Próprio
§  Evite a disciplina em ira descontrolada [Tg 1:20]
§  Evite palavras e entonações que ataquem a pessoa ao invés do problema [Ef 4:29]
§  Não traga o problema à tona novamente a não ser que você esteja ajudando os filhos a eliminar um padrão pecaminoso na vida deles.

Comunicação
§  A vara deve ser usada juntamente com a Palavra de Deus [Hb 12:5-11]
§  Deixe claros os limites e as ordens para seus filhos e estabeleça as consequências.

Coerência e Constância
§  A disciplina deve ser perseverante e coerente, ou seja, se ele foi disciplinado por certa desobediência e no dia seguinte volta a cometer o mesmo erro, deve ser novamente corrigido.
§  Ela deve ser...
ü  Rápida - Não deixando muito tempo entre a desobediência e a disciplina
ü  Razoável - Uma desobediência consciente e intencional, não um ato insignificante e involuntário.
ü  Absolutamente garantida – Prometeu, cumpra!

Autoexame
§  É fundamental o pai/mãe fazerem um autoexame no processo da disciplina:
ü  Minha instrução foi clara? Eles entenderam?
ü  Tenho todos os fatos?
ü  A vara é necessária?

5. Quais são os passos para a aplicação da disciplina física?

§  Use um método e um lugar planejado para utilizar a vara:
ü  Não discipline seu filho na frente de outras pessoas.
ü  Leve-os para o quarto e feche a porta. Essa questão é confidencial, particular e familiar.
ü  Se estiver em um lugar público leve-os para um lugar reservado, se caso não haja condição deixe claro que ele será disciplinado em casa e cumpra sua palavra. Não demore em cumprir o prometido.

§  Pergunte:
ü  “O que você fez?”
ü  “O que deveria ser feito?”
ü  “O que Deus fala sobre isto”?
ü  “O que você fez estava certo ou errado de acordo com as Escrituras?”
ü  “O que acontece quando você desobedece?”
ü  “O que eu devo fazer como pai/mãe sob a autoridade de Deus?”

§  Faça-os assumir uma posição possível de ser controlada.
ü  “Incline-se sobre a cama”.
ü  “Segure seus tornozelos”. 

§  Aplique a disciplina apropriadamente e lentamente.
ü  A disciplina precisa ser firme e completa o suficiente para causar contrição que conduza ao arrependimento.
ü  Bata na região adequada [nádegas]. Devemos levar em consideração a saúde física da criança. Deus criou uma parte específica do corpo capaz de receber o impacto da vara sem ferir. Isto significa que não é para golpearmos nossas crianças nas costas, onde podemos causar lesões na coluna ou nos rins; nem no estômago, cabeça ou mãos; mas na carne do bumbum onde, se a vara for usada devidamente, poderá ser sentida intensamente.
ü  A disciplina com vara não tem finalidade de constrangimento ou humilhação, mas correção.

§  Use esse momento para instruir, ensinar, treinar e orar [II Tm 3:16-17]
ü  Avalie sua reação, conduza-o a arrependimento, ela deve reconhecer seu erro.
ü  Abrace seu filho e ore por ele e com ele.
ü  Se a criança ofendeu alguém deve pedir perdão e restaurar a comunhão.


6. Diretrizes gerais sobre a disciplina infantil

§  Não demonstre desaprovação pelo que a criança é, apenas pelo que ela fizer de errado.
§  Dê ênfase maior ao bom comportamento [elogio] do que ao mal comportamento.
§  Permita que seus filhos falem e explique antes de tomar uma decisão final.
§  Elimine regras absurdas e desnecessárias, modifique-as se e quando achar necessárias.
§  Não se sinta obrigado a justificar suas regras, embora deva tentar explicá-las, especialmente quando seus filhos são adolescentes.

III. RESPOSTAS AS CRÍTICAS CONTRA A DISCIPLINA FÍSICA INFANTIL

§  Disciplina Física acarreta medo

Se a disciplina é exercida onde há atos concretos de amor e cuidado pelos pais, esta consequência não será gerada pela disciplina física. Pelo contrário a criança tem certeza que seus pais têm verdadeiro interesse por ela e por isso a corrige, gerando segurança. Muitas vezes os filhos se mostram extremamente amorosos depois de uma disciplina física. Em lugar de sentir medo eles experimentam alívio.

§  Disciplina Física acarreta violência

Alguns afirmam que uma criança que é disciplinada fisicamente baterá em outras crianças, mas este argumento é falso e não se sustenta. Quando a disciplina física é administrada de uma forma correta e sábia esta distorção não ocorrerá. O fato é que há crianças com inclinações a agressividade e que somente a disciplina física poderá cortar tal tendência pecaminosa em seu coração.

§  Disciplina Física é punitiva

A disciplina física não é punitiva, é corretiva e instrutiva. Visa internalizar no coração da criança que seus erros possuem consequências. No entanto no seu bojo a disciplina física orienta e instrui uma criança o princípio da retribuição, fundamento da justiça. Princípio esse fundamental para a formação de uma personalidade socialmente ajustada.

§  Disciplina Física não educa

O propósito principal da disciplina física não é educar, ela vem como um apoio necessário para que a instrução e a orientação dos pais sejam atendidas pelos filhos. É um meio não um fim. Não se disciplina fisicamente sem um motivo coerente e sem uma palavra de correção. É isso que Salomão deixa claro em Pv. 29:15, a vara e a correção, ou seja, a dor e a palavra [instrução verbal] devem andar de mãos dadas para se alcançar os frutos desejados.

§  Disciplina Física é espancamento ou leva ao espancamento

Quando examinada de perto a disciplina bíblica não pode ser confundida com espancamento. De fato a disciplina física pode ser degenerada em um ato de espancamento [Pv 19:18]. Mas o fato que alguns pais não possuem equilíbrio ou domínio-próprio para fazerem tal diferença não elimina o valor bíblico da disciplina física e importantes benefícios por ela alcançados. O abuso ou o mau uso do princípio não fragiliza ou atenta para seu valor, visto que tanto aqueles que foram alvos de disciplina física corretamente aplicada e aqueles que bem utilizam este princípio em seus filhos são testemunhas do valor para formação de seu caráter e conduta.

IV. A LEI DA PALMADA 

A transformação pela qual passa a sociedade brasileira é o caminho que se abre para as alterações na ordem normativa, em especial a lei. Esta como expressão fundamental do Estado Democrático de Direito com as mudanças impostas garantem a sobrevivência dos valores perseguidos socialmente. Neste diapasão nos deparamos com o projeto de Lei nº.: 7.672 de 2010, oriundo do Poder Executivo que vem sendo festejado por seus proponentes como uma proposta de caráter educativo e que tem como princípio basilar o  reconhecimento dos Direitos Humanos das crianças e adolescentes. Assevera-se que as crianças e adolescentes devem por direito serem cuidados e educados sem o uso de qualquer forma de violência desde a mais simples palmada a qualquer outra forma de castigo físico ou emocional abusivo. A lei teve inicio na Câmara de Deputados e nesta já foi devidamente aprovada por unanimidade pela Comissão Especial em 14.12.2011, cujo parecer foi publicado em 23.12.2011 e aguarda prazo recursal.

Em apertada síntese, dispõe a lei da palmada em seu conteúdo, o qual altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (lei n.8069/90, das seguintes proposições:

ü  Que as crianças e adolescentes têm o direito de serem educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante como formas de disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar educar ou proteger;

ü  Que o descumprimento da lei sujeitará os responsáveis à medidas que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso;

ü  A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão atuar de forma articulada na elaboração de políticas públicas e execução de ações destinadas a coibir o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante e difundir formas não violentas de educação de crianças e adolescentes;

ü  Previsão de multa a ser aplicada ao profissional da saúde, da assistência social, da educação ou qualquer pessoa que exerça cargo, emprego ou função pública que tendo conhecimento envolvendo suspeita ou confirmação de castigo físico, tratamento cruel ou degradante ou maus-tratos contra criança ou adolescente, NÃO COMUNICAR AS AUTORIDADES COMPETENTES.

ü  Serão incluídos nos currículos escolares, como temas transversais os conteúdos relativos aos direitos humanos e à prevenção de todas as formas de violência contra a criança e o adolescente;

Visa, assim, a lei da palmada a dar garantias a criança e ao adolescente  de viverem livres de maus tratos físicos e psicológicos, aparecendo esse direito como uma fórmula no meio familiar, escolar e comunitária para que num futuro próximo possamos tornar essas crianças e adolescentes em verdadeiros cidadãos. Resta saber se essa possibilidade ou maneira de educar uma criança abre também espaço nem que seja de forma tímida a realização para nós Cristãos a um descumprimento da palavra de Deus, e assim sendo com certeza cumprindo a lei da palmada avançaremos socialmente sim, mas, contribuindo de forma significativa para a deformação Moral e Espiritual de uma nova geração.

V. O CRISTÃO E A DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Caso esta lei ou qualquer outra lei civil colida com os princípios bíblicos como devemos proceder como cristãos diante desse conflito? Pois é claramente instruído a todos os cristãos a submissão aos poderes constituídos [Rm 13:1-7, Tt 3:1, I Pe 2:13-17, II Pe 2:10-11, Jd 8] sendo o Estado  uma instituição divina, no entanto é nos ensinado claramente nossa plena e total submissão a Deus por meio de Sua Palavra. A resposta a este aparente dilema é que a submissão do cristão ao Estado não é absoluta; nem a autoridade do Estado é suprema. Como afirmou Charles Hodge “O evangelho é tão inimigo da tirania quanto da anarquia”. Assim nossa sujeição ao Estado não é absoluta, há limites. O limite é toda vez que uma autoridade queira usurpar a autoridade divina, ou seja, proibir o que Deus ordena ou ordenar o que Deus proíbe, assim sendo nosso dever é resistir, não sujeitar-se.  Há vários exemplos deste caso [desobediência civil ou protesto civil] nas Escrituras:

§  Os apóstolos não deixaram de pregar a Palavra quando foi proibido [At 5:29, 4:18];
§  As parteiras hebreias desobedeceram a ordem de infanticídio autorizada por faraó [Ex 1:17];
§  Misael, Mesaque e Azanias, os amigos de Daniel, não se encurvaram a uma estátua de ouro erguida pelo rei Nabucodonosor, rei da Babilônia [Dn 3],
§  Daniel não deixou de orar quando foi exigido pelo edito de Dário, o medo [Dn 6]

 Portanto os pais cristãos não devem sujeitar-se a esta lei, sua postura contra não é um ato de rebeldia aos poderes humanos, mas um ato de amor aos seus filhos e fidelidade a Deus.

Conclusão:

   O princípio bíblico da disciplina infantil tem se mostrado útil e por demais necessário ao longo da história humana. Mesmo os pais que não foram perfeitamente fiéis aos princípios bíblicos no uso da vara, cometendo às vezes excessos, podem testemunhar que a vara foi fundamental no processo de formação de seus filhos. Mesmo as disciplinas imperfeitas colhem mais frutos do que a completa ausência de disciplina física. Para isto basta constatar toda uma geração de adolescentes e jovens rebeldes que sofrem e sofrerão pelo resto de suas vidas as tristes consequências de um caráter sem limites e de uma insubmissão as autoridades. Consequências essas que geram morte e dor e mais ainda contribuem significativamente para o endurecimento do coração humano perante o Pai Celestial, levando-os a uma condenação eterna.

Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos?  Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade.  Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça. [Hb 12:9-11]

 PALMADAS DE MÃE[6]

 Não tem lei e nem juiz
Em minha jurisdição
Que me impeça de agir
Conforme minha decisão.
Sendo no caso, palmadas.
Elas serão aplicadas
Como forma de lição.

Já criei dois filhos machos
No carão e na palmada.
Quando eu não era ouvida
Minha mão era escutada,
E garanto que deu certo
Tenho meus filhos por perto
E por eles sou amada.

Dos meus pais eu apanhei
O intuito era a correção.
Era menina levada
Carente de educação.
Mas apesar dos meus ais
Eu adoro os meus pais,
Rancor eu não guardo não.

A criança tem direitos,
E tem deveres também,
Não deve ser maltratada
Mas ter limites convém
Para repassar valores,
Não devemos ter pudores,
Nem a lei dizer amém.

Que venha primeiro a palavra,
Com ela venha o sermão,
Mas caso não tenha jeito,
O jeito é usar a mão
E recorrer à palmada,
Que hoje é renegada,
E outrora foi solução.

Foi assim que eu fui criada,
Assim meus filhos criei,
A lei por mim aplicada
Foi dos meus pais que herdei.
Aprendi a ter limite
Quando a palmada, acredite!
Era o processo e a lei.
(Dalinha Catunda)

Bibliografia

A Vara e a Correção. http://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_rodandreproof.htm. 17 de janeiro de 2012

KEMP, Jaime. Nós Temos Filhos. 1ª.ed. São Paulo: Editoral Sepal, 1992.

Proverbs 23:13. http://www.letgodbetrue.com/proverbs/23_13.htm. 16 de janeiro de 2012

Treinamento em Aconselhamento Bíblico – Nível II [Casamento e Família]. 1ª.ed. São Paulo: ABCB, ?

STOTT, John. Romanos. 1ª. ed. São Paulo: ABU, 2000

Vara: Instrumento Divino da Disciplina. http://todahelohim.blogspot.com/2009/12/vara-intrumento-divino-da-disciplina.html. 17 de janeiro de 2012.


[1]  Salomão escreveu sob um governo praticando a pena de morte!
[2]  Vara [hb. שָׁ֫בֶט] pode ser traduzida também como um ramo, galho, clava, ou seja, um instrumento facilitador da disciplina [era usado para debulhar o cominho ou mesmo para contagem e proteção das ovelhas pelos pastores]
[3] Jayme Kemp sugere que nenhuma criança deve ser disciplinada antes dos 6 meses de idade. No entanto isto não impede que ela seja treinada. O mesmo autor crer que com nove meses a criança esteja adequada para a disciplina física.
[4]  Em Pr. 29:15 onde Salomão solicita o uso da vara e correção até que a criança se torne um adulto. O termo "criança" refere-se—como está claro no termo hebraico usado—a uma criança que atingiu a idade de independência, que está pronta para sair de casa e se casar.