segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

MARCA 5: UM ENTENDIMENTO BÍBLICO DA EVANGELIZAÇÃO


[Série de Sermões - MARCAS DE UM IGREJA SAUDÁVEL pregada no púlpito da IBF aos domingos [jan/2011] baseadas e adaptadas do livro 9 Marcas de Uma Igreja Saudável publicado pela Editora Fiel de autoria de Mark Dever http://www.editorafiel.com.br/detalhes.php?id=9075 ]

Mt 28:18-19

Introdução:

Existem alguns pensamentos errados e, portanto ruins pois prejudicam e distorcem o conceito da evangelização:

“Não sei evangelizar” -  Incompetência
“Tenho medo ou receio de evangelizar” – Covardia
“Não tenho o dom de evangelizar” “Evangelismo é para pastores ou profissionais”  - Ignorância
“Não tenho tempo para evangelizar” – Egoísmo.

Inicialmente Evangelho alcançou meu coração e me mudou, ou seja, o Evangelho gerou a Conversão, agora quero e devo transmitir esta mensagem que me transformou a outros. Como devo evangelizar? Para o entendimento bíblico desta marca que torna uma igreja saudável, quero abordar 4 perguntas:

1.      O Que é Evangelização?
2.      Quem deve evangelizar?
3.      Por que devemos Evangelizar?
4.      Como devemos Evangelizar

I.                   O QUE É EVANGELIZAÇÃO?

Essa pergunta é importante, porque o “porque” e o “como” depende dela. Há diversas coisas que as pessoas pensam que é evangelização, mas que não são. Vamos a elas...

1.      EVANGELIZAÇÃO NÃO É IMPOSIÇÃO

“É errado impor suas crenças a outros” essa é uma crítica bem comum nestes dias. Essa objeção nasce não só baseado no espírito pós-moderno que fala de liberdade e privacidade [cada um tem sua verdade e devemos respeitar], mas da forma como é feita a evangelização. Um exemplo histórico deste processo foi a catequização dos índios na chamada América Portuguesa, onde estes não eram de fato convertidos, mas subjugados a cultura chamada cristã.

Para não incorrer em tal erro, é necessário um entendimento na natureza da evangelização. E na evangelização não impomos nada. Embora a tentação seja enorme, pois queremos ver as pessoas confiando no Senhor. Tal erro podemos cometer se entendemos que evangelização é imposição. Exemplos comuns...

a.       Um pai ou mãe impondo aos filhos que sejam crentes.
b.      Um cônjuge impondo a outro cônjuge sua fé.
c.       Um amigo a outro amigo
d.      Um patrão a um empregado...

Evangelizar é contar para alguém as boas-novas, isto não inclui que a pessoa vai responder corretamente o evangelho. Aquele que compreendeu a Pessoa de Cristo e a riqueza que Ele é, tem muita boa vontade, boa intenção e desejo de ver as pessoas convertidas, de responderem ao evangelho, mas não podem impor sua fé. Você não é o Espirito Santo e se isto você fizer é um grande mal e não um bem que você causa. Quem opera o milagre da conversão é Deus não nossa técnica astuta ou mesmo nossa paixão pessoal. [Ler I Co. 3:5-7].

Quem opera atualmente por imposição é o muçulmano. Países mulçumanos tem como religião oficial e todos os habitantes não tem outra escolha a não ser serem mulçumanos, caso não sejam são perseguidos e mortos. O verdadeiro cristianismo não é uma imposição religiosa. Tendo em vista que a Bíblia dá um diagnóstico terrível sobre a condição espiritual do homem [morto], portanto evangelizar não significa pegar um punhal e obrigar alguém a se comportar como cristão.

“Ser cristão não é uma questão de fazer ou não fazer isso, ou de seguir essa lei...Ser cristão é uma questão de vida transformada por Deus. A Bíblia apresenta o problema do homem como algo que não pode ser resolvido pela força humana coerciva ou por imposição. Tudo o que podemos fazer é apresentar a você, com exatidão as boas novas, viver uma vida de amor em sua presença e rogar a Deus que Ele o convença de seus pecados. Posso orar, pedindo a Deus que ele mostre a necessidade de um Salvador e lhe conceda arrependimento e fé. Mas não posso torna-lo cristão” [Mark Dever]

2.      EVANGELIZAÇÃO NÃO É TESTEMUNHO PESSOAL

Não entenda mal, no processo de evangelização, podemos sim compartilhar nosso testemunho, ou seja, aquilo que Cristo fez em nós. Mas não podemos confundir evangelização com testemunho. Esta é uma experiência e sua experiência não é o padrão pelo qual Deus opera. Deus opera pelo Espírito levando o homem a perceber sua necessidade do Salvador, mudando seu coração e transformando sua vida. Esta ação, embora haja elementos comuns em toda conversão, [arrependimento e fé no Senhor] pode acontecer de diversas formas.

Alguém pode dizer assim:

a.       Quando eu me converti chorei demais... eu pulei de alegria....
b.      Quando eu me converti fiquei curada...
c.       Quando eu cri no Senhor meu coração ardia, um peso enorme foi tirado dentro em mim...
d.      Quando em me converti. Deus me abençoou e até um emprego eu conquistei...
e.       Quando eu me converti tudo mudou... minha família, meu marido, meus filhos...[As vezes ocorre é o inverso – imagine um jovem mulçumano se convertendo ao cristianismo] Veja:

Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa.Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.[Mt 10:34-37]

Além do mais ao contar o testemunho pessoal você pode omitir aspectos essenciais do evangelho. Você pode ser tentado a ocultar o preço e o custo de seguir a Cristo.

3.      EVANGELIZAÇÃO NÃO É AÇÃO SOCIAL

Mais uma vez não me entendam mal. Não advogo que não devamos servir e acudir os pobres. Embora devamos envolver-se com estas questões, não devamos entender que evangelizar é dar pão a quem tem fome e roupa ao nu, não é apenas tratar dos males sociais. O problema terrível do homem, segundo o evangelho, não é o problema sócio-econômico [horizontal], mas o espiritual [vertical], ou seja, o problema com Deus.

Evangelização e Ação Social não é a mesma coisa, mas elas podem e devem se relacionar de forma legítima:[1] Ação Social é uma consequência da evangelização. [2] Ação Social é uma ponte e parceira para evangelização. 

A ação social é incompleta em si mesma para promover a plena dignidade humana, porque as necessidades humanas transcendem o plano meramente material. As pessoas e famílias têm também carências emocionais e espirituais. São inúmeros exemplo e exortações para que sejamos sensíveis aos pobres, órfãos e viúvas. Deus nos confere dons para a realização destas ações: “socorros” (1 Co 12.28), “exercício da misericórdia” (Rm 12.8), “fazer o bem” (Gl 6.9-10), “prática do bem” (Hb 13.16) e “ministração” (2 Co 9.13). Não devemos portanto sermos omissos neste aspecto, mas não devamos comprender que evangelização seja isto.

Evangelização é função da igreja, uma ordem de Cristo. Ação social é um reflexo do caráter cristão. Nossa função é evangelizar e nosso modo de fazê-lo pode incluir a ação social. Jesus certa vez não permitiu despedir uma multidão com fome após escutarem a Palavra, mas exortou com severidade a quem não percebia a centralidade do Pão Eterno para seu viver [Jo 6].

4.      EVANGELIZAÇÃO NÃO É APOLOGÉTICA

Apologética diz respeito a tarefa do cristão em defender a fé cristã. Algumas pessoas possuem perguntas sinceras e devemos responder de uma forma honesta porque cremos no que cremos. Essas dúvidas necessitam de esclarecimentos. Exemplos:

Por que não adoramos ou veneramos santos e Maria?
Por que cremos que o mundo foi criado?
Porque cremos na trindade?
Por que cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada e inerrante?
Jesus é mito ou histórico?

Há céticos e críticos que se opõem a fé cristã, que duvidam e atacam a Bíblia e a nossa fé, há também a presença de falsas doutrinas que distorcem a verdade cristã. A missão da apologética Cristã é, portanto, combater esses movimentos e promover o Deus Cristão e a verdade Cristã.

O versículo chave para a apologética Cristã é 1 Pedro 3:15-16: "antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor..." Não há nenhuma desculpa para um Cristão ser completamente incapaz de defender sua fé. Todo Cristão deve ser capaz de pelo menos dar uma apresentação razoável de sua fé em Cristo. Não, nem todo Cristão precisa ser um especialista em apologética. Todo Cristão, no entanto, deve saber o que acredita, por que acredita, como compartilhar sua fé com outras pessoas, e como defendê-la contra mentiras e ataques.

Evangelizar pode envolver apologética, tanto como pode envolver ações sociais, mas não é a mesma coisa. O fato de você defender ou mesmo explicar sua fé, não significa que você evangelizou. Aliás devemos ter cuidado em não sujeitarmos a agenda que outros estabelecem, antes no devemos tornar conhecido o que aquela pessoa precisa saber sobre Cristo e o caminho da salvação.

5.      EVANGELIZAÇÃO NÃO É RESULTADO

Um dos erros mais comuns é confundir evangelização como o resultado da evangelização – que é a conversão. Não podemos confundir evangelização como o próprio fruto. Evangelização é sua responsabilidade os resultados não. A tarefa central do evangelismo não é garantir os resultados, é ser fiel a mensagem. Evangelizar não significa ganhar pessoas para Cristo, significa anunciar as boas novas, independente dos resultados. Tem havido missionários entre os muçulmanos, que trabalharam por toda uma vida sem obter conversões. Será que isto nos obriga a concluir que eles não estavam evangelizando? A evangelização é obra humana, mas a fé é dom de Deus.

Jesus ensinou isto numa parábola do semeador [Mt 13:1-23]. O semeador sai a semear a mesma semente sobre vários solos. É provável que ele usou o mesmo método. Um solo frutificou; outros três não. A mensagem da parábola é que algumas pessoas responderam favoravelmente; outras não, embora ouçam a mesma mensagem.

Não podemos julgar nossa evangelização se é correta ou não em termos de resposta imediata, mas em termos de fidelidade a mensagem. Porque poderemos correr o risco no afã de vermos resultados nos tornar manipuladores, e nortearmos nossa filosofia em termos pragmáticos, diluindo o evangelho, tornando palatável, encobrindo implicações, escondendo consequências. Devemos saber que mesmo que formos fiéis ao evangelho, as pessoas podem não aceita-lo, e essa rejeição não significa que necessariamente erramos na maneira como evangelizamos.

Isso nos livra do senso de fracasso espiritual de não ganhar almas para Cristo.  Isto nos liberta deste peso e da culpa daqueles que compartilham o evangelho durante trinta anos e as pessoas não se convertem. Essas pessoas podem se sentirem culpadas. Elas não são, seriam se forem omissas e não proclamassem.

É claro que devemos buscar sermos diligentes, aperfeiçoar nossos métodos, mas Deus usa e opera acima de nossas fraquezas e métodos. Ele é grandioso, Ele pode usar até nossos fracassos, Ele supera nossas faltas, somos vasos [bem frágeis] e Ele opera assim para que possamos entender o quanto é glorioso. Jonas com todo seu egoísmo, com todo seu preconceito, com toda sua resistência, com toda sua xenofobia ganhou uma cidade para Cristo, ninguém fez igual.

Evangelização não é fazer prosélitos. Não é persuadir as pessoas a tomarem uma decisão. Não é provar que Deus existe nem fazer uma boa argumentação em favor da verdade do cristianismo. Não é convidar alguém a uma reunião...Não é vestir uma camiseta com a frase “Jesus Salva”. Algumas dessas coisas são corretas e boas no devido lugar, mas nenhuma delas deve ser confundida com evangelização.

Sem dúvida muita da evangelização moderna se tornou emocionalmente manipuladora buscando resultados apenas por uma decisão imediata da vontade do pecador, negligenciando a ideia bíblica da conversão é o resultado da graça de Deus [imerecida e soberana]. Não falhamos se apresentamos fielmente mesmo sem resultados aparentes. Falhamos em manipular e distorcer, em encobrir o evangelho. Portanto evangelizar não é converter pessoas. Então o que é?

Evangelizar significa simplesmente pregar o evangelho, as boas novas. Trata-se de um ministério de comunicação, no qual os cristãos tornam-se porta-vozes da mensagem de misericórdia de Deus aos pecadores. Qualquer um que transmita fielmente esta mensagem, não importa sob que circunstâncias, em uma grande reunião, em uma pequena conferência, de um púlpito, ou em uma conversa particular, estará evangelizando.

Deixo duas boas definições de Evangelização:
Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e creem. [Pacto de Lausanne, 1974 – por John Stott].

Evangelizar é declarar com a autoridade de Deus, o que Ele fez para salvar pecadores; e advertir os homens quanto a sua condição de perdidos e direcioná-los a arrependerem-se e crerem no Senhor Jesus.[Mark Dever – 9 Marcas]

Desafio você a postar no comentário uma para ver sua compreensão sobre esta marca.

Esta mensagem continua...



5 comentários:

  1. Uma benção a sua pregação no culto de domingo sobre "o que é evangelizar".
    Muito esclarecedora, pois como o senhor mesmo fala houve a "quebra" de alguns tabus do que "não" é evangelizar.
    Com certeza agora vou tentar fazer do jeito certo.
    Pela graça de Deus espero a cada dia conhecer e aprender mais da palavra e dessa forma perpetuar a sua palavra as outras pessoas.

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  2. Evangelizar é mais que falar, mais que convidar, mais que colher ou não frutos. Evangelizar é viver esforçando-se ao máximo e assim demonstrar o evangelho a todos. É ser amigo, solidário, ser duro e firme quando preciso, mas sempre vivendo em amor, e esclarecendo a condição humana pecadora e carente de arrependimento!

    "Well", não sei se expliquei bem, mas é isso!

    "Arrependei-vos e credes no evangelho!" Marcos 1:15b

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  3. Evangelizar é anunciar as boas novas aos necessitados e oprimidos. É levar a palavra de salvação aos que não creem.

    Marta Landim

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  4. Evangelizar é um ato de amor e gratidão por que um dia Jesus me escolheu e me libertou do mundo da trevas. Obrigada Jesus porque o Senhor não desistiu da cruz e nem de mim se entregando por amor a morte e morte de Cruz, sendo obediente até o fim.

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  5. Evangelizar é procurar infatigavelmente anunciar o Evangelho a todos os seres humanos.

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